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Salmo 6 - A resposta de Deus

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Como todos os que são tidos por filhos são repreendidos e castigados por Deus, a repreensão e o castigo era mais do que certo para o salmista Davi "Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho" Hb 12: 6. Davi reconhecia a sua condição de servo, mas ao fazer o pedido do versículo um (não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor), ele esperava receber tratamento digno de filhos. Somente os filhos são castigados e repreendidos pelos pais. Se o salmista foi recebido por filho, o tratamento já era esperado: correção e açoite, porém, na condição de filho.

1 SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.
2 Tem misericórdia de mim, SENHOR, porque sou fraco; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão perturbados.
3 Até a minha alma está perturbada; mas tu, SENHOR, até quando?
4 Volta-te, SENHOR, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade.
5 Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?
6 Já estou cansado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas,
7 Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e têm-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos.
8 Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniqüidade; porque o SENHOR já ouviu a voz do meu pranto.
9 O SENHOR já ouviu a minha súplica; o SENHOR aceitará a minha oração.
10 Envergonhem-se e perturbem-se todos os meus inimigos; tornem atrás e envergonhem-se num momento.

O salmista Davi, na sua oração, demonstra duas coisas:

1ª) que ele reconheceu os seus erros, e;
2ª) que ele recorreu a quem podia livrá-lo.

Quando o salmista invoca a Deus como Senhor da sua vida, está implícito que ele é propriedade de Deus. Ou seja, o salmista ao anunciar que Deus é seu Senhor afirmou ser propriedade de Deus.

Como todos os que são tidos por filhos são repreendidos e castigados por Deus, a repreensão e o castigo era mais do que certo para o salmista Davi "Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho" Hb 12: 6.

Davi reconhecia a sua condição de servo, mas ao fazer o pedido do versículo um (não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor), ele esperava receber tratamento digno de filhos. Somente os filhos são castigados e repreendidos pelos pais. Se o salmista foi recebido por filho, o tratamento já era esperado: correção e açoite, porém, na condição de filho.

O salmista sabia que não há como escapar do castigo e da repreensão de Deus, porém, ele esperava que Deus não o repreendesse na ira e que o castigo não se desse no furor. A ira e o furor de Deus são para aqueles que não lhe pertencem. A ira e o furor não se destinam aos filhos, mas a correção e a repreensão sim.

O que é destinado aos filhos? A misericórdia!

Quando o salmista se conscientizou de seus erros, a sua alma ficou 'enferma' e 'perturbada'. Ele sabia que receberia de Deus correção e açoite, porém esperava ser tratado com misericórdia. O salmista espera pela misericórdia, pois ele mesmo não conseguiria reverter a sua condição.

As escrituras nos revelam que todos quantos esperam no Senhor são bem-aventurados "Bem-aventurados todos os que nele esperam" Is 30: 18. Quando o salmista se expressa dizendo: "mas, tu, Senhor, até quando?", ele não está impaciente ou pressionando o seu Criador, antes demonstra que Davi esperará pacientemente a solução de Deus, pois somente esperando em Deus se é bem-aventurado.

Deus é imutável e é da vontade dele usar de misericórdia para com seus filhos; açoitar e repreender-los; conceder aos que nele esperam a bem-aventuranças. Sendo assim, a petição do salmista somente evidencia o que ele já esperava de Deus, e não que Deus fosse mudar os seus intentos após a oração.

Deus não muda por causa das nossas orações. Deus não agirá conforme o que é contrário a sua própria natureza. Um exemplo desta verdade verifica-se quando Cristo pediu em oração ao Pai que o livrasse do cálice, porém a vontade do Pai prevaleceu.

A oração não demove Deus dos seus propósitos. Qualquer e toda transformação somente ocorrerá no homem.

Se pedirmos em oração para que Deus tenha o culpado por inocente, jamais alcançaremos tal pedido.

Este salmo demonstra que a oração do salmista torna evidente o que ele precisamente esperava de Deus. Como o salmista conhecia o seu Senhor, ele sabia o que pedir e o que esperar.

Quando o salmista pede a Deus que se volte, ele evidencia a benignidade de Deus. Através dos seus pedidos o salmista ressalta o que o aproxima de Deus: a fé!

Desde o início do salmo ele reconhece ser fraco e que não tem méritos para conquistar por suas ações o favor de Deus. Logo, a confiança do salmista é que Deus o livrará por sua eterna benignidade.

O salmista bem sabia que a repreensão na ira e o castigado no furor levam o homem à morte. Este não é um tratamento àqueles que alcançaram o favor de Deus. O favor de Deus conduz a vida, porém a disciplina não pode passar daqueles que são recebidos por filhos Hb 12: 8.

O favor de Deus ao salmista é louvor à glória de Deus. Jamais o salmista teve em que se louvar, pois todos quantos se gloriam, devem gloriar-se em Deus que promove a salvação do homem.

Através do versículo cinco o salmista procura evidenciar o que promove a glória de Deus.  É a ação de Deus que promove a sua própria glória, e não as ações dos homens "Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado..." (Efésios 1: 6).

Fazer o homem agradável para si é uma ação exclusiva de Deus, sem qualquer participação do homem. Quando o homem confia em Deus reconhece sua incapacidade, e é Deus quem faz todas as suas obras para louvor de sua graça e glória Is 26: 12.

O salmista pede a Deus misericórdia é aí que evidência que a benignidade de Deus em dar-lhe vida é a maior expressão de louvor à glória de Deus. Com base nesta idéia inicial o salmista questiona o fato de na sepultura não se ter lembrança de Deus. Seria o caso de acreditar que os mostos não têm consciência? Não! Não é esta a idéia transmitida pelo salmista.

Observe que o salmista distingue morte e sepultura: "Na morte não há lembrança de Deus", e faz uma pergunta: "Na sepultura, quem poderá louvar-te?".

Todos quantos se esquecem de Deus nesta vida estão mortos perante Ele, como depreendemos do que o apóstolo Paulo disse aos cristãos aos Efésios: "Ele vos vivificou, estando vós mortos..." Ef 2: 1. O homem que se esquece de Deus está alijado da vida que há n'Ele, e é por isso os que não se lembram de socorrer-se de Deus estão mortos. Ou seja, os que não crêem são os que se esquecem de Deus enquanto mortos.

Quando o salmista diz que na sepultura não há lembrança de Deus, é porque somente aqueles que se esquece de Deus não terá a alma livre do poder da morte "Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus" (Salmos 9 : 17).  O salmista através da sua oração demonstra que não se esqueceu de pedir socorro a quem podia livrar a sua alma. Aqueles que se esquece de Deus estão morto, da mesma forma, os mortos não tem lembrança de Deus.

Quem desce ao sepulcro divorciado da vida que há em Deus jamais poderá louvá-lo. Os que não se lembram de Deus, os mortos, quando no sepulcro, não louvam a Deus. Como? Porque estarão em silêncio e inconscientes? Não é esta a idéia do salmista.

A obra que Deus realiza no homem louva a sua glória e graça, e tal obra somente é realizada naqueles que se aproximam de Deus crendo que ele existe e é galardoador. Aqueles que descem à sepultura estarão em silêncio, pois não são louvores a graça e glória de Deus. O salmista associa a idéia de silêncio que envolve o sepulcro com a ausência de louvor à glória de Deus naqueles que não são obra dele (de novo criados).

Aqueles que se esquecem de Deus aqui neste mundo de maneira alguma louva à glória e a graça de Deus quando descer à sepultura.

O salmista demonstra sinal de cansaço pelo seu constante gemido, mas aponta os seus inimigos como sendo a causa do seu infortúnio e constante choro. O salmo demonstra que os inimigos de Davi não pertenciam as nações vizinhas. Os inimigos de Davi não eram os filisteus. Estes eram inimigos de Israel.

Neste salmo e em muitos outros os inimigos do salmista são todos aqueles que se deleitam em apontar-lhe os seus erros. Diante das pessoas que outrora julgavam as suas atitudes e os seus erros, agora o salmista diz: "Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniqüidade".

Por que os inimigos de Davi estavam na prática da iniqüidade? Porque eles se ocupavam em acusar o salmista a partir de seus erros e ações sem levar em conta que Davi confiava em Deus.

Aqueles que julgavam Davi por seus erros não sabiam que Deus já havia demonstrado o seu favor perdoando-o. O Senhor já tinha ouvido as súplicas do salmista por misericórdia.

Quando os inimigos do salmista percebessem que Deus havia acolhido o seu servo com benevolência, e não com ira, ficariam perturbados. Todos os seus acusadores voltariam envergonhados por terem lançado acusações a quem Deus recebeu por seu.

Devemos ter o cuidado de não acusar os servos de Deus de pecado, visto que o servo é exclusivo do Senhor. Se dissermos que um servo de Deus está caído, é o mesmo que dizer que Deus não é poderoso o bastante para sustentá-lo em pé. Além de estar acusando o servo do Senhor de algo inverídico, a iniqüidade jaz a porta, visto que tal declaração não está em conformidade com a divindade: "A mão de Deus não está encolhida para que não possa salvar" Is 59: 1.

Se é Deus quem justifica o homem, quem somos nós para julgar os seus servos? Há um único juiz, que é justo e justificador; e, que a ninguém despreza quando suplica por auxilio "Volta-te, SENHOR, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade".

O Senhor é Deus bondoso e salva a todos que nele confiam. É a benignidade de Deus que concedeu forças ao salmista para clamar por salvação. Davi somente evidência o que todos os homens podem esperar de Deus: se somos filhos, receberemos correção e repreensão, expressão do amor de Deus para os que são seus.

Se o homem esquece aquele que pode livrá-lo da condenação, estes receberão ira e furor. Estes não serão recebidos por filhos. Estas características em Deus são imutáveis.

O salmista bem sabia que o Senhor é galardoador daqueles que o buscam Hb 11: 6, e orou a quem podia livrar a sua alma da morte e obteve resposta.  

"Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar" (Romanos 14 : 4)

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