1 OUVE-ME quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angústia me deste largueza; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.
2 Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? (Selá.)
3 Sabei, pois, que o SENHOR separou para si aquele que é piedoso; o SENHOR ouvirá quando eu clamar a ele.
4 Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos. (Selá.)
5 Oferecei sacrifícios de justiça, e confiai no SENHOR.
6 Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? SENHOR, exalta sobre nós a luz do teu rosto.
7 Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho.
8 Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.
A justiça do salmista é proveniente de Deus e não de suas ações. Por isso ele sente total segurança na justiça divina porque ela é demonstrada em muitas misericórdias sem qualquer dependência das ações humanas.
A fé do salmista é evidenciada quando ele clama: "Ouve-me quando clamo...", isto porque em todos os tempos a justiça de Deus somente se alcança por meio da fé. Todos aqueles que se aproximam de Deus é porque crêem que Ele é galardoador dos que o buscam.
O salmista está seguro que Deus o ouve, visto que ele já recebeu alivio quando estava angustiado. A justiça de Deus é concedida em misericórdia sem qualquer vínculo com as obras dos homens, o que confere segurança aos que confia em Deus.
A confiança que temos em Deus não deve estar apoiada em nossos méritos e sim nas muitas misericórdias que há em Deus. O salmista Davi foi um homem sujeitos as mesmas fraquezas que nós e mesmo em momentos mais difíceis causados pelos seus próprios erros, preferiu cair na mão de Deus.
Sabemos que Deus é justo e justificador daqueles que nele confiam "Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" Rm 3: 26. Não há como o homem mudar um dos atributos de Deus: Ele é justo, e isto não é discutível.
Porém, Deus também é justificador, e quando os homens procuram se cobrir com uma justiça própria, estão negando uma glória que somente a Deus pertence Is 48: 2.
O versículo dois questiona os homens que amam se escudarem em suas ações; que buscam cobrirem-se com suas obras. A glória de ser justificador pertence a Deus, mas a atitude de muitos homens em confiar em suas próprias ações é uma infâmia perante Deus. É vaidade do homem considerar que pode se justificar perante Deus. A justificação é uma obra que Deus realiza e homem algum poderá realizar.
Aquele que é agraciado com a justiça de Deus passa a ser propriedade d'Ele. Deus não recebe os homens pelas suas qualidades e méritos pessoais, antes o 'piedoso' diante de Deus são aqueles que Ele recebeu para si. Aqueles que são conhecidos do Senhor, estes são os piedosos (vide Salmo 1).
O salmista tinha plena certeza de que Deus sempre haveria de ouvi-lo, pois este é um firme fundamento sob a garantia de Deus (selo) "O Senhor conhece os que são seus" II Tm 2: 19. Após ser agraciado por meio da fé com a justiça divina o salmista passou a condição de separado para o Senhor.
O ciclo de verbos no imperativo que teve início no versículo três prolonga-se até o versículo cinco. Após saberem (adquirir o conhecimento do v. 3) de que maneira o Senhor separa e ouve os que são seus, os 'esclarecidos' deveriam tremer Sl 2: 11. Os ouvintes do salmista precisavam rever os seus conceitos com base no que haviam aprendido.
"Tremei, e não pequeis" (v. 4) V. B.
Sacrifício para Deus é um espírito quebrantado. Só é possível oferecer sacrifício de justiça através da confiança em Deus. Sacrifício de justiça só é possível quando Deus é recebido através da fé como sendo justiça nossa Sl 51: 19.
Apesar do alerta instruindo que se deve confiar no Senhor muitos ainda se perguntam: quem nos mostrará o bem? A luz do Senhor é a resposta. Somente a luz do Senhor mostrará o bem: "Nele (verbo) estava a vida, e a vida era a luz dos homens" Jo 1: 4. Deus mostrou a sua luz (exaltou) quando nos revelou Jesus "Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar" Sl 118: 27.
A luz de Deus é alegria colocada no coração. Alegria que transcende para a vida eterna, diferente da alegria produzida pelo mosto e ausência de fome.
Aqueles que descansam é porque confiam no Senhor. Estes descansam em paz porque a justiça de Deus proporciona segurança inabalável. Nele o homem tem alegria, segurança e luz segundo a sua misericórdia e justiça.
Quem confia descansa na providência divina. Deus preparou salvação poderosa àqueles que andam na sua luz através da sua justiça e misericórdia. Mas, muitos se agarram em suas obras, e por isso não descansam, não tem segurança e nem paz.





