Os ímpios perecerão, mas não em conseqüência de terem se assentado em rodas de beberrões para contar anedotas. Não é porque freqüentam lugares reprováveis pela moral humana que os ímpios estão perdidos. Eles perecerão porque Deus não conhece o caminho deles! Perecerão porque Deus não está neles, e vice-versa (...) O apóstolo João evidencia esta verdade: “Quem tem o Filho tem a vida, mas quem não tem o Filho de Deus não tem vida” I Jo 4: 12. Para ser salvo é preciso ter a Cristo, pois boas ações não salva o homem. Quem tem bom comportamento e uma boa moral precisa de Cristo, visto que ainda não tem vida em sí mesmo.
1- Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
2 - Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.
3 - Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
4 - Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.
5 - Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
6 - Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.
Salmo Primeiro
Para entender plenamente os conceitos que este Salmo apresenta é necessário analisar outros capítulos que compõe o Livro dos Salmos, complementando a análise com o conhecimento do evangelho de Cristo.
O evangelho demonstra que homem algum será salvo por intermédio de suas realizações e condutas pessoais, ou seja, a salvação de Deus é alcançada somente através da fé em Cristo.
Este conhecimento prévio da verdade do evangelho combinado com a idéia que outros salmos apresentam faz com que a leitura do Salmo Primeiro seja cautelosa. Observe:
“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” (Salmo 32. 1).
“Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano” (Salmo 32. 2).
“...bem-aventurado o homem que nele confia” Sl 34. 8.
“Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira” Sl 40. 4.
“Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus átrios” Sl 65. 4.
“Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados” Sl 84. 5.
Há um padrão de idéia presente nos versículos acima que torna o Salmo Primeiro diferente dos outros salmos. Enquanto o Salmo Primeiro demonstra que bem-aventurado é aquele que não anda segundo o conselho dos ímpios, os outros salmos demonstram que só é bem-aventurado aqueles que confia e é acolhido por Deus. Porém, a aparente 'diferença' que existe entre o Salmo Primeiro e os outros salmos é produto de uma leitura superficial, pois ele diz exatamente aquilo que os outros salmos dizem.
Os outros salmos demonstram que a bem-aventurança do homem é proveniente de Deus que trabalha em prol de todas as suas criaturas.
Com base nos versículos citados é um contra senso entender que o Salmo Primeiro destaca que a bem-aventurança decorre simplesmente de questões comportamentais como:
a) não andar com um ímpio;
b) não se assentar em uma roda com escarnecedores, e;
c) não parar em uma estrada com pecadores.
Sobre o não ter contato com homens ímpios, o apóstolo Paulo assevera: “Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo” I Co 5: 10.
Conforme Paulo demonstra, se a bem-aventurança é alcançada através de questões comportamentais, necessariamente o bem-aventurado não mais estaria no mundo. Porém, Jesus mesmo disse: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” Jo 17: 15.
Porém, sabemos que a bem-aventurança não é proveniente de questões comportamentais tais como não entrar na casa de pecadores, não andar com eles em um mesmo caminho ou assentar-se com eles para comer. Concluímos que o Salmo Primeiro trata exclusivamente de questões espirituais, sem qualquer referência a questões morais e comportamentais!
Quem é bem-aventurado? A resposta sobre quem é bem-aventurado encontra-se no último versículo do Salmo Primeiro, a saber: somente é bem-aventurado aquele que tem o seu caminho conhecido pelo Senhor! (v. 6a).
"Pois o Senhor conhece o caminho dos justos" (Salmos 1: 6).
O que realmente torna o caminho do homem conhecido de Deus? Quando o homem é bem-aventurado? Quando:
- A transgressão é perdoada por Deus.
- O pecado é encoberto por Deus.
- Não é imputada a maldade.
- Confia-se em Deus, etc.
Para que o homem tenha o seu caminho 'conhecido por Deus', ele não pode estar firmado em argumentos pobres e fracos tais como: “Não toques, não proves, não manuseies?” Cl 2: 21- 23. Isto porque os princípios ou argumentos que decorrem de questões comportamentais são fracos e pobres diante de Deus "Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” Gl 4: 9.
Ou seja, aquele que o Senhor conhece o caminho, este é justo diante d'Ele. Somente é justo perante Deus quem tem o seu caminho aplainado por Deus. Para alcançar tal bênção é preciso confiar em Deus. É justo quem obteve o perdão das transgressões. Somente aqueles que preenchem os quesitos anteriores são verdadeiramente conhecidos do Senhor.
Por ser um texto poético, o Salmo Primeiro permite a construção de texto que estamos analisando. As poesias hebraicas trabalham em primeiro plano as idéias, substituindo aquilo que as nossas poesias valorizam muito: o ritmo e a rima. É por causa da construção do texto poético em paralelismo que a última frase da poesia complementa a idéia da introdução do salmo.
Ou seja, a idéia que o salmo primeiro procura destacar é: o homem somente é bem-aventurado quando o Senhor conhece o seu caminho. Somente o justo é bem-aventurado! Aleluia!
Já o caminho dos ímpios perecerá como conseqüência de Deus não conhecer o caminho deles.
A idéia presente na palavra 'conhecer' diz de uma união plena. Transmite a idéia de Deus unido ao homem e o homem em união com Deus I Jo 4: 15- 16. Somente aqueles que de Deus foram gerados por intermédio da fé trilham o caminho conhecido pelo Senhor.
Os ímpios perecerão, mas não em conseqüência de terem se assentado em rodas de beberrões para contar anedotas. Não é porque freqüentam lugares reprováveis pela moral humana que os ímpios estão perdidos. Eles perecerão porque Deus não conhece o caminho deles! Perecerão porque Deus não está neles, e vice-versa.
Observe que o salmo faz referência a um caminho, e não a vários caminhos: "Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá" (v 6). Ora, sabemos que só há dois caminhos, o largo e o estreito.
Os ímpios não subsistirão no juízo em decorrência do caminho que estão, e não por questões comportamentais e morais. Isto porque, antes mesmo de comparem perante o Tribunal do Grande Trono Branco, todos eles já estão condenados e as suas obras não lhes aproveitarão.
O que levou a humanidade à condenação foi a queda de Adão. Lá no Éden os homens tomaram um caminho 'desconhecido' de Deus.
Haverá um dia em que os ímpios não permanecerão na congregação dos justos, visto que, os justos terão um lugar em separado dos ímpios. Este trecho não se refere aos nossos dias! Acaso, hoje, não existem ímpios em nossas reuniões solenes?
Há duas comparações interessantes neste salmo:
1º ) “Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará!” (v. 3) - O homem bem-aventurado, ou seja, aquele que é conhecido do Senhor, será COMO uma árvore plantada junto a ribeiros de águas. Observe que os frutos são produzidos no tempo certo, e que as folhas não cairão, e tudo quanto realizar prosperará. Por que os frutos são produzidos na estção certa? Porque todo aquele que está ligado a videira verdadeira dá muitos frutos. A união entre o homem e Cristo faz com que produzamos bons frutos a seu tempo, pois tudo o que produzirmos será segundo a natureza de Cristo. Não há como uma árvore boa produzir frutos maus. É impossível uma árvore má produzir bons frutos.
2º ) “Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha” (v. 4). - Enquanto o justo está edificado sobre a pedra de esquina, os ímpios são comparados à moinha levada pelo vento. Não tem um local fixo.
Após estas observações inicias, podemos analisar a idéia que o salmo expõe em profundidade:
Compare:
“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” Sl 1. 1-2.
"Porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá" (v. 6).
Observe os dois versículos acima e perceba que existem vários ímpios, mas só um 'conselho'. Existem vários pecadores, mas só um 'caminho'. Existem inúmeros escarnecedores, mas uma só 'roda'.
Por fim, existem vários justos, mas só um caminho é conhecido pelo Senhor. Muitos ímpios perecerão, mas o caminho deles é único, o caminho que leva a perdição.
A diferença entre justos e ímpios está no caminho em que estão trilhando, e não em questões comportamentais. É por isso que Jesus disse que há dois caminhos: o caminho estreito e o caminho largo "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela" (Mateus 7: 13).
Alguém pode questionar: Por que não é o comportamento que faz difernça entre quem é justo ou ímpio?
Analise: há pessoas não crentes (pessoas que não conhecem a Cristo) que são sinceras, regradas e fiéis no trato, mas que não alcançaram salvação. O comportamento destas pessoas interessa a elas e a sociedade em que convivem, mas para a salvação, não é de valor algum.
O apóstolo João evidencia esta verdade: “Quem tem o Filho tem a vida, mas quem não tem o Filho de Deus não tem vida” I Jo 4: 12. Para ser salvo é preciso ter a Cristo, pois boas ações não salva o homem. Quem tem bom comportamento e uma boa moral precisa de Cristo, visto que ainda não tem vida em sí mesmo.
Se o homem tem Cristo é conhecido de Deus, uma vez que é um dos filhos de Deus. Não é o comportamento do homem que concede a filiação divina, mas sim o nascer da água e do Espírito.
Não é aquilo que o homem faz, ou que deixa de fazer (ação ou omissão) que lhe dará direito a vida eterna, mas sim, ter o caminho conhecido pelo Senhor. Este verdadeiramente é bem-aventurado.
Os bem-aventurados são aqueles que têm o seu caminho conhecido pelo Senhor, e, portanto, devem comportam-se de maneira adequada, ou seja, de modo diferenciado dos homens devassos deste mundo. Porém, vale destacar que não é o comportamento diferenciado daqueles que alcançaram a bem-aventurança que os premiou com a condição de alegria verdadeira e permanente em Deus.





