
Este salmo (18) nem de longe trata do salmista Davi e de suas conquistas pessoais, antes, Davi foi inspirado pelo Espírito Eterno a profetizar a cerca do Messias quando redigiu este cântico. Deus retribuiu a Cristo segundo a pureza de suas mãos, visto que, ele foi o único homem a não cometer pecado "O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" ( 1Pe 2:22 ).
1 EU te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha.
2 O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.
3 Invocarei o nome do SENHOR, que é digno de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos.
4 Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram.
5 Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam.6 Na angústia invoquei ao SENHOR, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face.
7 Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou.
8 Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo que consumia; carvões se acenderam dele.
9 Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés.
10 E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento.
11 Fez das trevas o seu lugar oculto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as nuvens dos céus.
12 Ao resplendor da sua presença as nuvens se espalharam, e a saraiva e as brasas de fogo.
13 E o SENHOR trovejou nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e houve saraiva e brasas de fogo.
14 Mandou as suas setas, e as espalhou; multiplicou raios, e os desbaratou.
15 Então foram vistas as profundezas das águas, e foram descobertos os fundamentos do mundo, pela tua repreensão, SENHOR, ao sopro das tuas narinas.
16 Enviou desde o alto, e me tomou; tirou-me das muitas águas.
17 Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me odiavam, pois eram mais poderosos do que eu.
18 Surpreenderam-me no dia da minha calamidade; mas o SENHOR foi o meu amparo.
19 Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.
20 Recompensou-me o SENHOR conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.
21 Porque guardei os caminhos do SENHOR, e não me apartei impiamente do meu Deus.
22 Porque todos os seus juízos estavam diante de mim, e não rejeitei os seus estatutos.
23 Também fui sincero perante ele, e me guardei da minha iniqüidade.
24 Assim que retribuiu-me o SENHOR conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos perante os seus olhos.
25 Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero;
26 Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável.
27 Porque tu livrarás o povo aflito, e abaterás os olhos altivos.
28 Porque tu acenderás a minha candeia; o SENHOR meu Deus iluminará as minhas trevas.
29 Porque contigo entrei pelo meio duma tropa, com o meu Deus saltei uma muralha.
30 O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam.
31 Porque quem é Deus senão o SENHOR? E quem é rochedo senão o nosso Deus?
32 Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.
33 Faz os meus pés como os das cervas, e põe-me nas minhas alturas.
34 Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte que os meus braços quebraram um arco de cobre.
35 Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me susteve, e a tua mansidão me engrandeceu.
36 Alargaste os meus passos debaixo de mim, de maneira que os meus artelhos não vacilaram.
37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei; não voltei senão depois de os ter consumido.
38 Atravessei-os de sorte que não se puderam levantar; caíram debaixo dos meus pés.
39 Pois me cingiste de força para a peleja; fizeste abater debaixo de mim aqueles que contra mim se levantaram.
40 Deste-me também o pescoço dos meus inimigos para que eu pudesse destruir os que me odeiam.
41 Clamaram, mas não houve quem os livrasse; até ao SENHOR, mas ele não lhes respondeu.
42 Então os esmiucei como o pó diante do vento; deitei-os fora como a lama das ruas.
43 Livraste-me das contendas do povo, e me fizeste cabeça dos gentios; um povo que não conheci me servirá.
44 Em ouvindo a minha voz, me obedecerão; os estranhos se submeterão a mim.
45 Os estranhos descairão, e terão medo nos seus esconderijos.
46 O SENHOR vive; e bendito seja o meu rochedo, e exaltado seja o Deus da minha salvação.
47 É Deus que me vinga inteiramente, e sujeita os povos debaixo de mim;
48 O que me livra de meus inimigos; sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim, tu me livras do homem violento.
49 Assim que, ó SENHOR, te louvarei entre os gentios, e cantarei louvores ao teu nome,
50 Pois engrandece a salvação do seu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com Davi, e com a sua semente para sempre.
Este salmo é um louvor de Davi pelas súplicas respondidas.
O Salmista expressa o seu sentimento pelo seu Senhor: amor! Na condição de servo, Deus é a sua força.
O salmista expressa tudo aquilo que Deus representa para a sua vida: Deus é rochedo, lugar forte, libertador, fortaleza, refúgio, escudo, salvação e baluarte.
A oração é expressão de confiança. Somente aqueles que confiam em Deus O invocam. Invocá-Lo é o mesmo que adorá-Lo "Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!" ( Mt 15:25 ). Invocar a Deus por socorro é o mesmo que dizer: "Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio" ( Sl 40:13 ).
O salmista contemplou as ações dos seus inimigos. A morte, o inferno e a impiedade andam lado a lado procurando tragar os que confiam em Deus. Todos estes elementos provenientes do inimigo tentaram acometer a Cristo durante a sua estadia no Getsêmane e caminhada até a cruz. Cordas, cordéis e laços tentaram prender a Cristo, mas Ele triunfou deles na cruz.
O salmista adorou a Deus através deste salmo quando venceu a Saul e a todos os seus inimigos. Porém, tal composição poética é profética e apontou para a vida e os sentimentos do Messias.
Jesus clamou ao Pai quando estavam em grande angustia, por causa da paixão da morte. Porém, a certeza da proteção do Pai era consolo bem presente na angustia.
Diante da opressão do inimigo sobre o ungido do Senhor, Ele revela (manifesta) a sua ira e os homens e as nações não subsistem "...entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus" ( Rm 2:5 ). Terra representa os homens e os montes as nações.
O juízo de Deus é fogo consumidor "E o SENHOR fará ouvir a sua voz majestosa e fará ver o abaixamento do seu braço, com indignação de ira, e labareda de fogo consumidor, raios e dilúvio e pedras de saraiva" ( Is 30:30 ), os que sofrerão a sua ira compara-se (assemelham-se) a carvões em brasa.
No dia da manifestação da ira de Deus contra aqueles que procuraram manietar o seu ungido na morte, Ele descerá, e os homens impenitentes encontrarão a escuridão que está debaixo dos seus pés "DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés" ( Sl 110:1 ), pois o seu dia (retribuição) será de escuridão e densa trevas. Diferente de hoje, onde é possível andar à sua luz "Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e juízo são a base do seu trono" ( Sl 97:2 ).
O Senhor socorre o seu servo desde os céus (v. 9), conforme descrito no ( Sl 144:4 -8).
No dia da batalha, Ele estará aparelhado para a guerra (v. 10). Naquele dia Ele estará inacessível aos homens (v. 11). Ao resplendor da sua presença será manifesto o seu juízo sobre os homens (v. 12).
O verso 15 descreve a glória e a majestade de Deus da mesma forma que o ( Sl 104:1 -6).
Após descrever a manifestação da glória de Deus em juízo, o salmista descreve a ação de Deus em socorrer o seu ungido (v. 16- 17). Apesar de ter sido 'surpreendido' no dia da calamidade (agruras da cruz), todavia, Cristo foi tomado das muitas águas (morte - caminho de todos as gentes).
Cristo foi livre por Deus quando foram soltos os laços de morte "Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela" ( At 2:24 ).
Jesus foi conduzido a um lugar amplo. O livramento alcançado deve-se a retribuição de Deus à justiça de Cristo.
Observe que os versículos 19 à 24 jamais poderia descrever o salmista Davi. O único homem a quem o Senhor se agradou (prazer) foi de Cristo.
Cristo foi puro de mãos; justo em todos os seus caminhos; guardou-se da iniqüidade; Ele é o único homem que recebeu a retribuição de Deus conforme a sua justiça. O cristão recebe a benevolência de Deus conforme a justiça de Cristo, pois ao pecador resta a morte.
Somente o Cristo-homem é bom, sincero e puro diante de Deus. Estas qualidades não são próprias dos homens gerados de Adão, pois os nascidos segundo a carne não há quem faça o bem (v. 25- 26).
Se todos os homens juntamente se desviaram e não há se quer um que faça o bem, como Davi poderia considerar que era puro de mãos e merecedor da benignidade de Deus conforme a sua própria bondade? ( Sl 14:3 ; Sl 51:5 ).
Este salmo (18) nem de longe trata do salmista Davi e de suas conquistas pessoais, antes, Davi foi inspirado pelo Espírito Eterno a profetizar a cerca do Messias quando redigiu este cântico. Deus retribuiu a Cristo segundo a pureza de suas mãos, visto que, ele foi o único homem a não cometer pecado "O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" ( 1Pe 2:22 ).
Quem livra o povo aflito? Jesus, a poderosa salvação levantada na casa de Davi ( Lc 1:68 -69) "Julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o opressor" ( Sl 72:4 ).
Jesus é o sol nascente das alturas para iluminar os que jazem nas trevas ( Lc 1:78 -79), que acende a candeia daqueles que nele confiam. Ao lado do Senhor o homem entra em batalha e salta muralhas. Em seguida vem o motivo do salmista ter tamanha disposição:
Porque Cristo, o caminho do Senhor é prefeito. Cristo, o verbo encarnado é aprovado diante de Deus. Aos que em Cristo confiam alcançaram de Deus um escudo e broquel, isto porque Jesus é o Senhor. Ele é a rocha, a pedra angular de esquina.
O salmista continua descrevendo a bondade de Deus para com Davi e a sua descendência (semente), que é Cristo (v. 50).
O mesmo Deus que 'cingia de forças' o seu servo Davi, é o mesmo que concedeu forças a Cristo-homem. O mesmo Deus que fez os pés de Davi ágil e que adestrou as suas mão para a guerra (v. 33 e 34), concedeu que o descendente de Davi fosse escudo de salvação para os que nele confiam (v. 35).
Na angustia Davi clamou (v. 6), Deus concedeu ao seu servo vitória sobre todos os seus inimigos (v 36- 42).
Deus livrou Davi, o seu servo, e deu-lhe descanso de seus inimigos em redor, e da mesma forma o seu Descendente (Cristo) reduzirá os seus inimigos como pó diante do vento.
Davi não foi feito cabeça dos gentios e nem povos que ele nunca conheceram o serviram. De quem Davi escreveu? Sabemos que Deus prometeu a seu Filho as nações por herança ( Sl 2:8 -9). Que os gentios esperariam em Cristo "E no seu nome os gentios esperarão" ( Mt 12:21 ).
Davi não foi constituído cabeça dos gentios, e somente reinou sobre Israel (v. 43).
A igreja é o povo que ouvindo a voz de Cristo obedeceram-no e submeteram-se ao seu domínio.
No milênio os povos estarão destituídos de suas forças, e tremendo, vem de seus reinos à Jerusalém para trazer as suas ofertas (v. 45).
Novamente Davi surpreende ao dizer: "O Senhor vive!" (v. 46).
Por que Davi disse que o Senhor vive, se Ele é Eterno? Aquém Davi se referiu ao dizer: "O Senhor vive!"?
Davi fez referência Àquele que vive, mais foi morto "E ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu" ( Ap 2:8 ).
Cristo vive! Ele é bendito eternamente. Ele é a rocha de salvação.
É o Senhor que ouviu: "Assenta-te à minha mão direita" ( Sl 110:1 ), que vingou o seu servo Davi. Desta forma Davi propõe louvá-lo entre os gentios (v. 49).
Além de Deus conceder vitórias a Davi, Ele é benigno para com Davi e sua Semente, que é Cristo.
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Salmo 18 - A angustia do Servo do Senhor

